Oficina Zine Lab: gostinho de quero mais!

A Oficina Zinelab foi linda — e foi também um daqueles encontros que ajudam a dar forma ao que o Laboratório Experimental de Publicações (LEP) vem sonhando desde o começo: abrir um espaço de troca, de mão na massa e de experimentação editorial com o que estiver ao alcance.

No dia 27 de fevereiro, realizamos a primeira oficina planejada aqui no LEP. Para essa estreia, escolhemos trabalhar com a criação de fanzines: publicações de circulação historicamente independente, com uma trajetória rica e múltipla, e que seguem atuais justamente por um princípio simples (e poderoso) — publicar pode ser possível com poucos materiais, sem depender de grandes recursos e sem pedir “permissão” para existir.

Ministrada por Juan Fiorini e Maria Elisa Moreira, a oficina teve uma estrutura dinâmica, alternando momentos de conversa e contextualização (o que é um zine, de onde ele vem, como ele circula, como ele se reconhece) com a experimentação coletiva. A proposta não era “ensinar um jeito certo”, mas criar condições para que cada pessoa pudesse atravessar o processo inteiro: escolher um formato, organizar ideias, testar materiais, errar rápido, refazer e, aos poucos, perceber o zine tomando corpo.

Para disparar a criação, trabalhamos com um kit de templates com quatro modelos de zines feitos a partir de dobraduras e cortes. Esses modelos funcionaram como um ponto de partida: ao entender a lógica do papel — como ele dobra, onde abre, onde vira página — os participantes montaram a base das suas publicações e, em seguida, puderam dedicar tempo ao que faz um zine ser zine: recorte, colagem, desenho, escrita, composição, ruído, acerto e improviso.

Em duas horas, treze participantes exploraram uma variedade de materiais disponibilizados para a produção — e isso independentemente de terem (ou não) experiência anterior com publicação, design ou qualquer técnica específica. O clima foi de concentração compartilhada: gente trocando ideia, pedindo cola emprestada, mostrando uma solução de dobra para o colega do lado, comparando papéis, rindo do inesperado. E os resultados apareceram rápido: zines muito diferentes entre si, cada um com seu ritmo, sua voz e sua forma de ocupar a página.

Não conseguimos cumprir exatamente tudo o que havíamos proposto no início. A ideia era que cada participante produzisse dois zines — um para levar para casa e outro para ficar no nosso acervo. Mas o processo foi tão intenso e cuidadoso que, na prática, cada pessoa fez um zine, com o tempo todo sendo investido em experimentar e concluir uma primeira publicação do começo ao fim. O convite ficou aberto para quem quiser doar um exemplar posteriormente ao nosso APEX — Acervo de Publicações Experimentais: se você participou e tiver interesse em enviar o seu zine para compor o acervo, a gente vai receber com alegria.

E ainda teve surpresa: Carolina Vigna e Denise Tangerino prepararam um cartaz para ser impresso em serigrafia durante a oficina. Entre papéis, tintas e puxadas de tela, os participantes puderam levar para casa mais essa lembrança — e, com ela, um pouco do que torna a impressão tão especial: o tempo do gesto, a materialidade da tinta, o acaso bonito de cada variação.

Saímos desse primeiro encontro com a sensação de que a Oficina Zinelab foi, ao mesmo tempo, estreia e começo. Um registro vivo do que a gente quer cultivar por aqui: encontros em que a publicação não é só resultado, mas também processo, convivência e descoberta. Já estamos animados (e ansiosos) pelas próximas atividades.

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