Toda publicação que sai do padrão é experimental? Ou experimental é apenas aquela que questiona propositalmente a forma, transformando-a em linguagem?
Esta pergunta nos acompanha desde o primeiro dia de funcionamento do LEP (Laboratório Experimental de Publicações). E a resposta, descobrimos, não é simples. Mas é libertadora.
Se você está aqui, é porque tem uma ideia que não cabe nos moldes tradicionais. Talvez seja um texto que merece mais do que uma coluna em uma revista. Talvez seja uma história que precisa ser tocada, não apenas lida. Ou talvez você simplesmente sinta que a forma como publicamos hoje não corresponde ao que queremos dizer.
Este artigo é um mapa. Ele vai ajudar você a entender o que torna uma publicação verdadeiramente experimental e, mais importante, como viabilizá-la.
Uma história curta da experimentação editorial
Antes de definir o que é experimental hoje, precisamos entender de onde isso vem.
No início do século XX, os artistas e poetas estavam fartos. Fartos das regras do livro tradicional, da linearidade, da obediência.
Os Futuristas italianos (1909+) quebraram as margens da página. Palavras explodiram em diferentes direções. A forma do livro não era mais um recipiente neutro para o texto; ela era o significado.
Os Dadaístas (1916+) foram além. Colagens, cacos de papel, tipografia aleatória. O livro tornou-se um objeto absurdo, reflexo de um mundo que havia perdido o sentido. Não havia lógica, apenas liberdade.
O movimento Fluxus (1960+) transformou a publicação em experiência. Não era para ler; era para vivenciar. Caixas com objetos, instruções para fazer arte, publicações que você tinha que montar.
Nenhum desses movimentos, no entanto, era caótico por ser caótico. Cada quebra de regra tinha uma intenção e cada decisão formal uma intenção comunicativa. E essa parece ser a palavra-chave do experimentalismo: intencionalidade.
Hoje, em 2026, a experimentação editorial é mais acessível que nunca. Mas também é mais fácil confundir o que é apenas “diferente” daquilo que é efetivamente “experimental”.
5 características de uma publicação experimental
Você quer saber se sua ideia é verdadeiramente experimental? Então veja como ela responde às 5 perguntas-chave que apresentamos a seguir.

Alguns exemplos: publicações que definem o experimental
Agora que você já sabe as 5 características centrais de uma publicação experimental, que tal conhecer alguns exemplos reais que as incorporam?
Tree of Codes, de Jonathan Safran Foer
Publicado em 2010, o livro apresenta características escultóricas: o autor construiu uma nova narrativa a partir de recortes de palavras de seu livro favorito de infância, “The Street of Crocodiles”, de Bruno Schulz. O resultado é um livro no qual se alternam palavras e buracos.
Características presentes: subversão de formato, materialidade intencional, questionamento do leitor, viabilidade técnica.

Crédito da imagem: Nina Jua Klein Studio
Bibi, de Gustavo Piqueira
Livro do designer e escritor Gustavo Piqueira, publicado em 2019, apresenta uma narrativa que questiona a relação entre forma e conteúdo: cada bloco de 16 páginas apresenta um estilo visual e textual distinto, perpassando diversas linguagens. Há ainda um convite ao leitor para alterar o título do livro.
Características presentes: materialidade intencional, viabilidade técnica, questionamento do leitor.
Crédito das imagens: Gustavo Piqueira
A nova arte de fazer livros, de Ulisses Carrión
Um ensaio sobre a produção de livros que se vale da editoração para questionar os processos tradicionais de criação, nos quais texto e forma são tidos como entidades autônomas. Não é um livro tradicional, mas a exploração multifacetada de uma ideia.
Características presentes: subversão de formato, questionamento do leitor, materialidade intencional.
Imagens da edição brasileira do livro de Ulisses Carrión.
Como o LEP facilita essa experimentação
Você chegou até aqui e pensou: “isso é incrível, mas como eu faço?” É exatamente para isso que o LEP existe.
No laboratório, você não está sozinho nessa jornada. Você tem:
- Mentoria técnica: equipe que pesquisa e entende sobre processos de diagramação, encadernação, design digital e prototipagem.
- Acesso a materiais: papéis diversos, ferramentas de encadernação, computadores com softwares profissionais, referências teóricas e críticas.
- Colaboração interdisciplinar: você encontra alunos e professores dos diversos cursos do CCL, profissionais do livro e interessados no assunto no mesmo espaço, prontos para trocar ideias.
- Prototipagem: você não precisa acertar na primeira. O laboratório é um espaço seguro para errar, aprender e iterar.
- Documentação e catalogação: nós registraremos o processo de elaboração do seu projeto e, quando ele estiver pronto, ele será catalogado em nosso acervo, passando a compor a memória do LEP e a inspirar outros projetos experimentais.
Próximos passos: da teoria à prática
Se você se identificou com este artigo e quer começar seu próprio projeto experimental, aqui está o caminho:
1. Defina sua intenção: por que você quer criar uma publicação experimental? qual é a mensagem que não cabe em um formato tradicional?
2. Escolha uma característica para começar: você quer subverter o formato? explorar a materialidade? colaborar com alguém? comece por uma delas, as outras virão como desdobramentos.
3. Pesquise referências: procure por publicações que façam o que você quer fazer. Estude-as, entenda os processos.
4. Prototipe: não espere pela ideia perfeita. Faça um “boneco” rápido: teste, erre, aprenda.
5. Quer compartilhar todo esse processo com pessoas que possam desenvolvê-lo junto com você? Agende seu atendimento no LEP e traga suas ideias, seu protótipo, suas dúvidas, suas referências. Vamos trabalhar juntos para transformar sua ideia em uma publicação que corresponda ao que você deseja criar.
Experimentação é liberdade com responsabilidade
Experimentação não é anarquia. Não é fazer algo diferente apenas por ser diferente.
Experimentação é liberdade com responsabilidade. É questionar a forma para potencializar a mensagem. É colaborar para ampliar a perspectiva.
Toda publicação experimental começa como um rascunho. Começa com alguém que pensou: “E se fizéssemos diferente?”
Agora é sua vez.
Tem uma ideia? Um rascunho? Uma pergunta? Agende seu horário no LEP e vamos materializar isso juntos.
Sua ideia merece sair do papel. O LEP está aqui para ajudar.
🔗Agende aqui o seu atendimento.
📍 LAB102 – Prédio do CCL Mackenzie.
⏰ Atendimento: 2ª a 5ª (14h-18h), com agendamento prévio.
















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